
Toda ação humana tende a um fim que é um bem. O conjunto das ações humanas e o conjunto de seus fins tendem para um "fim último", isto é, para um bem supremo, que todos concordam em chamar de felicidade. Mas poderíamos questionar o que é felicidade. Para a grande maioria das pessoas ela significa prazer e gozo, para outros ela é a honra (sucesso), ou ainda é a possibilidade de somar riquezas. No entanto, o "bem supremo" (felicidade) consiste em aperfeiçoar-se enquanto homem, não apenas no simples viver como tal (os animais e as plantas também são seres viventes), mas na função que é própria do homem, temos o valor de concretizar a Razão bem e perfeitamente, no sentido de uma vida completa.
Todo homem dotado de razão deve adentrar-se ao domínio da virtude do "comportamento prático", virtude esta que se adquire com o tempo: o hábito. A virtude nasce enquanto atividade interior e é colocando-a em prática que aprendemos a fazer as coisas que são necessárias serem feitas. Deste modo, será realizadndo ações justas que nos tornaremos justos, moderados com ações moderadas, corajosos com ações corajosas. Será deste modo que as virtudes tornar-se-ão um "modo de ser", um hábito (cárater). Mas os impulsos, as paixões e os sentimentos que tendem ao excesso ou à falta, muitas vezes impostas pelo próprio sistema, seriam justificaticáveis? Não, a razão tem a capacidade, a faculdade de impor a "justa medida" entre os extremos: a virtude é a mediana entre os extremos, pois deve tender para o meio.
Conhecimento não é sabedoria, esta, consiste em coordenar bem e de forma justa a vida do homem, de oferecer lucidez sobre aquilo que é bem ou mal para o homem no campo da prática. Conseqüentemente, quanto mais o homem se estender à reflexão e à contemplação, também se estenderá à Felicidade. Precisamos contemplar as coisas que nos rodeiam, ouvir a natureza, assistir a um pôr-de-sol, observar a minúcia beleza de cada ser. Você já parou para contemplar hoje?

Uma coisa é o "conhecer o bem" e outra é "realizar o bem". Nesse sentido o homem depara - se com a proháiresis (escolha) vinculada ao ato de deliberação.
Quando queremos alcançar determinado fim, nós estabelecemos pela deliberação quais serão os meios necessários para que, com a ação, cheguemos ao fim procurado: a escolha transforma os meios em ato, em realidade concreta.
Portanto: escolha!

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